Prólogo

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Re: Prólogo

Mensagem por Pavlov dog em Sab Maio 21, 2016 1:56 pm

Amelie Chervalier (moderador) - 325 dias
Toda aquela conversação não o deixava confuso, pelo contrário, estava habituado a profusão de vozes e até considerava que aquele grupo era capaz de lidar com aquele tipo de inconveniente com demasiada parcimônia. 
Bebeu ruidosamente o restante da asquerosa refeição que sem dúvidas não seria o suficiente para nutrir aquele corpo fragilizado por anos de descaso e pobreza, quase tão miserável quanto o espírito de seu novo inquilino. 
Seus olhos vagavam entre um rosto e outro, sempre na direção de quem falava. O sujeitinho soturno com ar irritadiço, Aleksei, não o abalava, na verdade era uma das poucas pessoas ali que faziam com que se sentisse entre os seus, ele e Olga. Apesar de nunca terem parado para debater sobre seus estados do passado sentia que pertenciam à lama. 
- Bem, no lugar deles eu teria deixado passar. 
Quantas vezes fizera isso em vida? Para a polícia a mando dos bandidos, ou para os bandidos por qualquer motivo questionável, perdera a conta. Acontece que Serguei não era famoso por ser racional quando o colocavam diante de uma bela mulher, e, por vezes considerava que todos os homens fossem tolos assim. 
- Mas, eles não parecem ter bom gosto. 
Justamente por ter sido belo um dia estava ciente de que sua nova forma poderia ser tudo, enfermiço, magricela, faminto, menos, agradável a vista. 
- Temos poucas putas e pobres que valham a pena, Anatoly sem sombra de dúvidas já matou a maioria delas, pelo menos as que tinham a maioria dos dentes. 
A última chamava-se Nastya, tinha os cabelos compridos e uma expressão angélica que teria realmente causado grande comoção, isso se não fosse uma notória putinha das redondezas. Para os homens de bem aquele pequeno detalhe servia para desqualificá-la como ser humano, e, o que deveria ser tratado como um desastre era transformado em ação do destino, uma retribuição por seu modo de vida. 
- Minha decisão é a mesma que pontuei minutos atrás. Pausou. – Anatoli servirá se exemplo.Como sujeitinho amoral que era deveria ter sido sincero, a única coisa que desejava era vingança, odiava que se pusessem em seu caminho, ah, e ele estava começando a adorar a espelunca em que viviam, de certa forma ali a maioria seguia em paz. -É de conhecimento geral que as prostitutas vez ou outra degolam clientes, e também é de conhecimento geral que Anatoly é muito afeiçoado a esse tipo de entretenimento. Depois nos mudamos. Como? Ninguém se importava. Quando? De preferência ainda naquele dia, no mais tardar na última hora da noite. 
Aquelas trivialidades poderiam ficar para depois, Sergai estava decidido, faria com ou sem ajuda, questões como assassinato, tortura, extorsão e chantagem eram assuntos corriqueiros, e , como seu hospedeiro Vladmir como todo bom ladrãozinho adorava cochilar de dia sua mente pouco se abalava com os conflitos do choque de duas mentes. 
- Demyan, deveria se envergonhar de usar esse tipo de interceptação. Ruminou, invejoso da condição física de seu interlocutor, sem sombra de dúvidas aquele parvo havia tirado a sorte grande, e, a julgar pela expressão atormentada e tom de obrigatoriedade pouco ou nada aproveitava.
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Re: Prólogo

Mensagem por Pavlov dog em Sab Maio 21, 2016 1:56 pm

moderador 324 dias
ㅤㅤㅤㅤCom tantas pessoas falando ao mesmo tempo era fácil se perder em meio a toda aquela tagarelice e foi isso mesmo que aconteceu com a Olga. Entediada com o tom que a conversa começava a assumir ela guardou as sobras de seu doce no bolso interior da jaqueta e abriu um maço de cigarros, levando um à boca e caçando um isqueiro no bolso da calça jeans. Seus olhos pousaram então em cada um dos presentes por um punhado de tempo significante pela primeira vez desde que pusera os pés naquele fim de mundo. É verdade que de onde viera não era nem um começa, mas era apenas modo de falar. Verdade também que não era boa em análises, sequer poderia fazer um perfil de si própria se indagada a fazê-lo, mas não custava nada tentar uma vez que na situação em que se encontrava não sabia em quem poderia confiar. E por isso mesmo não confiava em ninguém, só mantinha as aparências mesmo para o caso de vir precisar de alguma ajuda. Suspirou ao passo nesse mesmo ato também exalava a fumaça tóxica de seu odioso vício. Até que se mudar não era má ideia, seria bom conhecer novos ares, envolver-se em novas aventuras, encontrar nossas possíveis vítimas... Mas se parasse para pensar melhor não haveria maior suspeita do que desaparecerem do nada, especialmente após os boatos se espalharem. Via-se em um beco sem saída: se ficassem morreriam, se fugissem apenas atrasariam um pouco aqueles que os caçavam e então seria apenas questão de tempo até que os encontrassem novamente. Com isso não faltava muito para que um círculo vicioso se formasse. Até quando teriam condições de continuar se mudando? O mais fácil acabaria ser tendo de se espalhar naquela multidão de gente enquanto esta ainda existisse, pois a guerra já estava ali para extingui-los. — Não faz muita diferença se fugirmos ou não. A não ser que sigamos caminhos diferentes, o que acabaria nos deixando em desvantagem. — Deu um trago no cigarro e em seguida empurrou Aleksei para o outro canto do sofá, sentando-se assim no local anteriormente ocupado por ele com as pernas dobradas em borboleta. — De uma forma ou de outra, acho bom darmos um fim no Anatoli. Já deixamos que ele ultrapassasse limites demais, temos de aproveitar enquanto ele está sozinho. Depois bate a ideia de agir em grupo — se é que não já bateu — e aí tudo fica mais fodido a... — Interrompeu-se e as sobrancelhas franziram um instante. Acabara de ter um reflexo de uma vida passada, já não sabia se era da sua própria ou da desmiolada que um dia habitara aquele corpo. A questão é que não fora uma visão nada agradável e de repente viu-se incomodada, querendo sair dali tão rápido quanto entrara.




NASCIDA MATIJA OBINGER, morta por overdose de heroína em 1975.
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Re: Prólogo

Mensagem por Pavlov dog em Sab Maio 21, 2016 1:56 pm

ㅤㅤㅤㅤㅤ (moderador) - 323 dias
ㅤㅤㅤㅤPela primeira vez, algo bem próximo de atenção foi o que Yakiv conseguiu despertar em Aleksei que, de olhos fechados; porém, ouvidos bem abertos, ouvia o que o sujeito falava. — Eu vou também. Se quer saber, tudo é uma merda mesmo. — Abriu os olhos no exato instante em que recebeu o comentário mordaz de Viktoriya e assim permaneceu; encarando-a. Ou melhor: fuzilando-a com tanto empenho e realmente acreditando que conseguiria feri-la com apenas isso que ao ser empurrado por Olga viu-se totalmente desconcertado e rapidamente buscou encontrar seu foco. Mas ela já havia desaparecido… Então, restou-lhe apenas cruzar os braços e apertar os lábios. Vaca… Por que não se dispunha para ajudar Demyan com suas questões relativas a profissão que exercia? Certamente que saíra dali para fazer justamente isso. O que não importava, naturalmente, assim mesmo Aleksei parecia disposto a criar contendas com a mulher. O motivo? Nenhum. Só o prazer em ser irritante que falava mais alto. Por fim, roubou o cigarro de sua colega entrosada e deu um trago. Se era para dizer alguma coisa que dissesse algo útil, certo? — Matamos Anatoli para nos livrarmos de futuros problemas e vamos embora. Pronto. Toda essa discussão para resolver algo tão simples? Também já estou cansando desse lugar… Não aguento mais essa lama. — A sua opinião acerca do que pensava do local não era para ter sido expressa, no entanto, escapou. Mordeu a língua um tanto tarde para se conter e com isso teve o filtro recém-roubado retirado de seus dedos. — Então, o que vai ser? Quem vai dar um sumiço no valentão? — Com isso queria dizer que não seria ele a fazer o serviço sujo. Seu foco, também, falava muito ao mirar Vladmir, afinal, querendo ou não era apenas um garoto aos olhos de todos. Não importava o que sua alma era, não naquele quesito. 


Nascido Rurik Oksana, um [url=http://bradley-cooper.org/gallery/albums/movies/American Hustle/Posters/normal_001.jpg]cafetão[/url]. • • •
              Morto por uma puta que o atingiu com um salto 15 no coração. Ϟ
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